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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Caleidoscópio


(Oficina de texto 3: outubro de 2011)

Talvez fossem as cores - aquelas que pareciam se movimentar, se encontrar e separar logo em seguida, como um caleidoscópio de imagens vibrantes. Talvez fossem as pessoas, encontros e desencontros, palavras trocadas muito rápido, o suor, o trabalho, o sorriso e as emoções que seguem o homem aonde quer que ele vá, transbordantes. Talvez, mais que tudo, tenham sido as luzes aquelas que me encantavam, que se misturavam aos coros de risos que brotavam de cada esquina, das vozes possantes que vinham da praça cívica. Ou talvez mais - talvez tenha sido o encontro de tudo isso o que definiu esta semana de Ciências e Tecnologia da UFRN.

A Cientec é uma overdose de sensações para quem chega, e ainda mais para quem vive uma semana de muito trabalho e dedicação enquanto aluno da universidade. Esta foi a minha segunda participação na feira através da Agência Fotec: projeto de cobertura jornalística que possibilita aos alunos de Comunicação Social a chance de atuar no evento como uma verdadeira redação de jornal, e assim ganharem experiência. Isso inclui trabalhar com deadlines, pautas furadas, mural de recados de provocações e brincadeiras, gritos de chefes, poucas horas dormidas e muito cansaço. Mas acima de tudo aquela sensação que se insinua logo após a entrega de uma matéria; a satisfação temporária de - que me desculpem os clichês! - dever cumprido.

Tive a oportunidade de encarar o evento não mais como repórter - a caloura curiosa por tudo o que via, como no ano passado. Nesta edição fui Chefe de Redação de um novo projeto: a parceria entre Fotec e Marco - Mostra de Arte, Ciência, Cultura e Conhecimento das escolas municipais de Natal. Nesta parceria, a Marco forneceu uma equipe de seis alunos para a cobertura do evento, enquanto nós  cuidaríamos do treinamento e da coordenação do grupo. Quanto a mim, porém, novata nessa história de mandar nas pessoas - culpada por dar passos maiores que as pernas, já que fui eu quem escolhi-, ninguém se preocupou em preparar. Duvido muito que qualquer tipo de treinamento tivesse me ajudado.

Ninguém poderia ter me preparado para aqueles pequenos...já tão grandes jornalistas. Tive a oportunidade de conviver e aprender com pessoas tão pouco vividas, mas de alguma forma já tão conhecedoras. Pude perceber, lidando com aqueles seis jovens, que o  verdadeiro jornalista não está nos bancos da universidades, marcando presença nas aulas ou aprendendo teorias dentro de uma sala confortável. O jornalista é aquele indivíduo conhecedor de tão pouco sobre o mundo, mas humilde o suficiente por assumir o que não sabe e se dispor a aprender. Nesta semana de Cientec, enfim compreendi que o jornalista está no olhar entusiasmado e sempre curioso das crianças com quem lidei, que buscavam, procuravam, ouviam com uma intensidade tão grande que só quem tem sede pode saber...

Foi incrível ver a rapidez com a qual evoluíam suas produções, e no que cada um se destacava. Não eram pequenos, não eram focas, nem estudantes -  eram futuros jornalistas.

E é por isso que agora, alguns dias depois, só guardo as impressões do borrão de imprevistos e sensações que foi a semana passada. Posso dizer que vivi e aprendi muito mais do que neste ano e meio de curso - e, em resposta a todos os que disseram: "Você marcou a vida daqueles meninos", eu respondo que foram eles que me marcaram.


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