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sábado, 29 de março de 2014

Sou jornalista (ou quase)

Sempre fui daquelas crianças que, se não tinham a quem recorrer para ouvir contos, os lia. Ou os escrevia. Essas características poderiam ter me feito uma bibliotecária. Hoje, entretanto, sei que cheguei até o jornalismo por essa paixão pelas histórias. Ouvir pessoas, entender suas motivações e como suas ações diárias interferem no mundo é algo que me fascina.

Foi na universidade que encontrei espaço para por em prática algo que o mercado nem sempre oferece: tempo para sujar os sapatos, ouvir boas histórias e contá-las bem. Em outras palavras, me apaixonei pela reportagem. Com o tempo, entrei nas redações: descobri que a vida pulsa dentro e fora delas – e que uma existência sem a correria dos fechamentos, plantões e pescoções não poderia ser vivida por mim.

Para ser sincera, talvez eu nunca consiga reunir todos as razões que motivaram aquela primeira escolha, em ano de vestibular. Para além do gosto pela escrita e pela leitura; pela atenção ao outro; talvez esteja uma razão mais egoísta: a sede por conhecer. No jornalismo, consegui a desculpa perfeita para alimentar essa curiosidade insaciável.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Hoje


Você já parou para pensar que estamos velhos? Estou em 2014. Já vi o tempo passar. Estes olhos que a terra há de comer assistiram à Tv Colosso, ainda em preto em branco, arrancar sorrisos desdentados dentro e fora da tevê; acompanharam uma terra chamada Bambuluá nascer e afundar, já colorida, em menos de dois anos. Essas mãos, que já estiveram sujas de terra e tinta, também empunharam a caneta e rebobinaram a fita VHS... ou até desmantelaram o vídeo cassete.

Esses ouvidos também se aconchegaram aos fones pequenos e ouviram CD's arranhados rodarem várias vezes; quantas vezes você passou corretivo naquele livro de professor garimpado em um sebo de segunda mão?

Quantas vezes não deixei (não deixamos) a prova do outro dia meio de lado, só para gastar o papo com os amigos ou terminar de ler um livro tão querido? Quantos baldes de pipoca e refrigerante foram jogados fora; quantas Halls e Tridents trocaram de boca em um beijo molhado naquela primeira vez... que vocês foram ao cinema? Quantas vezes ou cabelo foi penteado, a gravata arrumada e algo deu errado no primeiro dia no novo emprego?

Quantas vezes hesitei entre as letras "a" e "c"?
Quantas vezes disse "nós" quando queria dizer "eu"?

Quantas vezes caímos, tropeçamos e erramos consecutivamente e tivemos medo de levantar outra vez?
Quantas vezes terei que tropeçar até que, enfim, caia ao túmulo, de onde nenhum de nós poderá mais levantar?
Quanto estes olhos que a terra há de comer terão ainda de ver? E quando os ouvidos cansarão para então se recusarem a escutar? E quando a comida perderá o gosto para nunca mais voltar?

E se tudo isso me passar aos olhos em menos de um minuto, enquanto o vento me lambe o rosto e o asfalto me acolhe em um abraço quente, embaixo do viaduto?

Espero que não haja mais tempo para me arrepender.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sobre relações


Defendo veementemente a opinião de que as pessoas se dividem em apenas dois níveis na vida; seja em relacionamentos amorosos ou profissionais. No amor, os solteiros e os que namoram; nas relações de emprego, os mandados e os que mandam. Em algum momento da vida você vai ocupar uma destas posições – o mais comum é que você evolua. SE mandado, passarás a ser mandante; se encalhado, descolarás um amante. O mais importante – no entanto e sobretudo –, é que ao passar de uma função para outra deverás esquecer tudo o que vivera na anterior. Sendo assim, amigo, ao fim dos dias de solidão e macarrão instantâneo, não perderás mais nenhum segundo desta nova vida sem comentar com a população mais próxima a efervescência da sua vida amorosa, ou os resultados daquela promoção espontânea. O importante, na verdade, é nunca romper o ciclo e manter a roda das frustrações – e por que não dos sonhos? – sempre girando.