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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Hoje


Você já parou para pensar que estamos velhos? Estou em 2014. Já vi o tempo passar. Estes olhos que a terra há de comer assistiram à Tv Colosso, ainda em preto em branco, arrancar sorrisos desdentados dentro e fora da tevê; acompanharam uma terra chamada Bambuluá nascer e afundar, já colorida, em menos de dois anos. Essas mãos, que já estiveram sujas de terra e tinta, também empunharam a caneta e rebobinaram a fita VHS... ou até desmantelaram o vídeo cassete.

Esses ouvidos também se aconchegaram aos fones pequenos e ouviram CD's arranhados rodarem várias vezes; quantas vezes você passou corretivo naquele livro de professor garimpado em um sebo de segunda mão?

Quantas vezes não deixei (não deixamos) a prova do outro dia meio de lado, só para gastar o papo com os amigos ou terminar de ler um livro tão querido? Quantos baldes de pipoca e refrigerante foram jogados fora; quantas Halls e Tridents trocaram de boca em um beijo molhado naquela primeira vez... que vocês foram ao cinema? Quantas vezes ou cabelo foi penteado, a gravata arrumada e algo deu errado no primeiro dia no novo emprego?

Quantas vezes hesitei entre as letras "a" e "c"?
Quantas vezes disse "nós" quando queria dizer "eu"?

Quantas vezes caímos, tropeçamos e erramos consecutivamente e tivemos medo de levantar outra vez?
Quantas vezes terei que tropeçar até que, enfim, caia ao túmulo, de onde nenhum de nós poderá mais levantar?
Quanto estes olhos que a terra há de comer terão ainda de ver? E quando os ouvidos cansarão para então se recusarem a escutar? E quando a comida perderá o gosto para nunca mais voltar?

E se tudo isso me passar aos olhos em menos de um minuto, enquanto o vento me lambe o rosto e o asfalto me acolhe em um abraço quente, embaixo do viaduto?

Espero que não haja mais tempo para me arrepender.


domingo, 9 de fevereiro de 2014

Sobre relações


Defendo veementemente a opinião de que as pessoas se dividem em apenas dois níveis na vida; seja em relacionamentos amorosos ou profissionais. No amor, os solteiros e os que namoram; nas relações de emprego, os mandados e os que mandam. Em algum momento da vida você vai ocupar uma destas posições – o mais comum é que você evolua. SE mandado, passarás a ser mandante; se encalhado, descolarás um amante. O mais importante – no entanto e sobretudo –, é que ao passar de uma função para outra deverás esquecer tudo o que vivera na anterior. Sendo assim, amigo, ao fim dos dias de solidão e macarrão instantâneo, não perderás mais nenhum segundo desta nova vida sem comentar com a população mais próxima a efervescência da sua vida amorosa, ou os resultados daquela promoção espontânea. O importante, na verdade, é nunca romper o ciclo e manter a roda das frustrações – e por que não dos sonhos? – sempre girando.