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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Escolha


Sou porque quero ou porque me personifiquei? Serei eu um personagem? Qual é o caminho?

Sou jornalista porque erro muito, mas sei que posso acertar. Porque gosto de colocar os pingos nos i's, de reclamar e de sanar. Gosto de duvidar, às vezes temo em perguntar, e definitivamente não gosto de falar. Só  desconheço a quietude, a passividade, os olhos-que-encaram-o-chão.

Gosto de escrever porque é a única forma de calar. Todas as dúvidas que nasceram comigo.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Walking



That same old road that brought me here
Is calling me home.
(Hiding  my heart, Adele)

Gostaria muito de não me antecipar, mas nunca larguei de vez essa mania ansiosa. De querer que os dias passem rápido, como as páginas de um livro que anseio saber o final. Ao mesmo tempo quero que os minutos se alonguem para que eu possa protelar o momento de conhecer o fim. Ou, indo além, queria que um instante durasse para sempre e eu não precise fechá-lo. Só que o desejo queima como brasa e eu quero mais páginas - brancas e perigosas.
Essa é a minha razão, mas é o também meu coração. É meio que minha existência. My shoes... they took me for a walk. 
Só que desta vez a viagem é para longe de Casa. Não só no sentido físico, mas para longe de tudo o que me é caro, do que me é conhecido. Eu sei que isso significa crescer. Mas crescer também significa mudar? Para melhor, para pior, quem serei eu daqui a seis meses? Quem serei eu para aqueles que me são tão queridos? Não serei mais digna dos seus afagos? 
Questionamentos pré-2.0
Tenho medo. Tenho medo de temer e não poder chamar minha mãe no meio da noite. De não poder ir até o quarto dos meus pais e me esconder no meio das cobertas. De não ter mais meu pai para acender as luzes da cozinha quando eu grito no escuro. Porque sim, eu tenho esse medo e desejo. De tudo aquilo que é desconhecido e selvagem.
Talvez Freud explique, eu não.
A parte de estar lá era o que menos me preocupava. Até começar a cair a ficha. Até que eu comecei a comprar as malas, os sapatos, os livros que me servirão de companhia - sim, histórias, pois companhia humana será difícil arranjar por lá. Como costumam dizer, sou uma pessoa ensimesmada (um eufemismo qualquer para inexpressividade).
Até que, qualquer hora dessas, eu me verei embarcando em um pássaro de lata e partindo para "Brasíliaaaaa, nesse país lugar melhor não há", como diria Renato Russo.
Não me bastasse ter que deixar pilhas de cadernos, memórias, sapatos e amigos, deixarei eu. Não conheço a parte que irá, muito menos a que voltará - se voltar.
E como viver por lá? Como conviver além de mim? Como encarar meu interior? Como quebrar o silêncio que sempre me rachou em duas?
Tenho 13 dias até o fim de um mundo, do meu mundo, de um ciclo. Fevereiro vem me receber de braços abertos. 2013, let's take a walk.