Todo domingo eu fazia
Depois do almoço, sempre regado às divergências políticas entre painho e eu, corria para o quarto. Afundava na cama e em algum livro que retirava da estante vermelha; às 15h, cairia no sono ou mergulharia nas profundezas da internet.
Meu pai sempre dorme aos finais de semana. Invariavelmente. E minha mãe estava só, com a filha única sempre muda e o marido, assíduo visitante da terra de Morfeu. Ficava lá, na rede, a gastar o domingo inteiro frente à televisão. Ela, mulher que eu sei tão cheia de vida e acolhedora.
A verdade é que eu nunca vi a solidão da minha mãe. Nunca enxerguei porque não precisava. Porque enquanto eu me orgulhava de ser tão introspectiva e taciturna, o silêncio da minha mãe não tinha saída.
Nunca compreendi a solidão porque a minha era rodeada de gente que me amava. Porque nunca estive verdadeiramente só.
Agora, meses demais e quilômetros demais e saudades demais e ansiedade demais e incertezas demais, tudo é claro.
Ainda assim, como pedir desculpas. Como dizer: mãe, desculpa por ter te silenciado?
Longe, me agonio ao vê-la sem ter com quem conversar. Agora, quando sei que eu deveria estar lá.
Agora, quando eu sei...
"Mas sabe como é difícil encontrar, a palavra certa, a hora certa de voltar..."
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