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domingo, 14 de fevereiro de 2016

Decisões

Texto produzido para o curso de Letras Português da UFRN, em 02/2016.


A literatura é o único meio de encontrar a paz, independente do período de vida pelo qual eu esteja passando.

É nas palavras que busco conforto; sorrisos; mais perguntas para meu infindável estoque de dúvidas.

É nela que encontro suporte para enfrentar o mundo. É como se, ao encontrar uma boa história, eu também abrisse uma porta para a minha própria alma.

Sempre preferi ler ou escrever em lugares barulhentos. Alguns personagens me acompanham desde a infância, e lê-los é como encontrar velhos amigos em um bar, onde trocamos memórias e risadas às vistas.

Minha lembrança mais forte desta relação remonta ao hospital Varela Santiago, onde fiquei internada em tratamento a uma doença sanguínea, por volta dos cinco anos. Como eu não andava, as opções de diversão eram limitadas. Foi quando pus as mãos em uma máquina de escrever de brinquedo, vermelha com amarela, da qual não pude mais esquecer.

De lá vieram os sucessivos “mãe, me compra uma revistinha?”, sempre ao passar pelas bancas do centro da cidade. Na escola, como não havia biblioteca, a saída foi pedir à professora para ler as crônicas e tirinhas dos livros didáticos das séries superiores. Enquanto as crianças levavam brinquedos para a aula, eu voltava para casa com os meus em mochilas pesadas.

Desde os seis anos, as minhas próprias histórias começaram a se empilhar ao lado da cama em diários e poemas – impublicáveis, claro.

Embora minha família não seja de leitores, aos poucos consegui convencê-los de que me fariam mais felizes com livros do que com vestidos e bonecas. A infância passou a ter o cheiro dos sebos da Cidade Alta.

Mas foi ao ler “O mistério da fábrica de livros”, de Pedro Bandeira, que uma dúvida se acendeu: como e porque histórias encantam pessoas?

As perguntas me levaram ao jornalismo, que me mostrou a literatura no seu âmago: a vida. Esta nem sempre límpida como a ficção.

Só que histórias precisam de imaginação: precisam encantar pessoas, perturbá-las, questioná-las, mas nem sempre de forma direta, respondendo ao quê, quando, onde e porquê.

Ainda sem respostas ao “como a literatura fascina”, aportei no curso de letras. Quero descobrir como levar às pessoas todo o mundo que as palavras me apresentaram – e sem o qual eu não seria nada.

Ano passado, decidi tatuar a única coisa que sei que nunca mudará: um amor traduzido em sete livros no lado esquerdo do peito.

Meu objetivo é simples: apresentar às pessoas o livro que vai convencê-las a ler. Embora meu sonho pelo mercado editorial não esteja próximo – e ainda envolva um caminho tortuoso --, hei de me guiar pelas palavras de Sartre, em “O que é literatura” (1948): “O mundo pode muito bem passar sem a literatura, mas pode passar ainda melhor sem o homem.”


Atualização: Ingressei no curso de Produção Editorial, da UFSM. Um passo a mais na jornada.

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